Florbela Spanca

segunda-feira, 12 de abril de 2010 0 comentários
Quem disser que pode amar alguém pela vida inteira é porque mente.

A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente.

Se penetrássemos o sentido da vida seríamos menos miseráveis.

É pensando nos homens que eu perdoo aos tigres as garras que dilaceram.

A ironia é a expressão mais perfeita do pensamento.

Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar....

Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade

Eu quero amar, amar perdidamente. Amar só por amar.

Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou.

Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um.

"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"

Eu tecerei uns sonhos irreais ...Como essa mãe que viu o filho partir; como esse filho que não voltou mais!

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.


Quero voltar! Não sei por onde vim…
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura.

Gosto da noite imensa,
triste,preta,como esta estranha borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

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